Algumas causas são decisivas para o fracasso das pequenas empresas, dentre eles a falta de
experiência do empresário, capital de giro insuficiente e estrutura operacional pesada com
custos fixos fora da realidade do volume de vendas.
Constata-se que juntar o “caixa da empresa” com o “caixa da família” é um fator determinante
do fechamento de um número impressionante de pequenas empresas.
Todas as empresas precisam de capital de giro para sobreviver e possuem uma capacidade de
endividamento própria, em função do giro de seus estoques, prazos concedidos nas vendas a
prazo ou obtidos nas compras a prazo de fornecedores, margem bruta de lucro, volume de
custos fixos, etc.
Nesse contexto, a mistura dos “caixas” tem sido fatal na medida em que a conjugação
daqueles fatores impede, muitas vezes, uma correta gestão de seu fluxo de caixa.
Alguns donos de negócios levam a sério esta questão. Conheci um deles que viu o corte do
fornecimento de água e energia de sua residência, mas em respeito à sua pequena empresa
não transgrediu essa norma básica de não repassar gastos que não lhe pertencem. Não
permitiu que a empresa pagasse suas contas pessoais.
Esse empresário tinha profunda consciência de que a continuidade de sua empresa dependia,
fortemente, de tratá-la de forma independente dos interesses particulares, criar-lhe uma
condição de sobrevivência em um mundo de negócios de muita competição.
Outra prática que pode inviabilizar uma empresa é a fixação de pro labore acima de suas reais
possibilidades.
Ora, se o salário médio mensal de um técnico no mercado, realmente capacitado para
executar as atividades de gerência de uma determinada pequena empresa, é de R$ 1.000,00, é
fora de propósito pagar ao sócio ou proprietário R$ 3.000,00, como pro labore, sob o
argumento de que essa é a retirada de que ele necessita para quitar seus compromissos
domésticos.
Por definição “salário médio de um técnico no mercado” vem a ser o quanto as empresas,
inclusive as concorrentes, estão dispostas a pagar por um gerente, naquelas condições.
O pro labore deve ser fixado com cuidado e rigorosamente considerando dois parâmetros
básicos: quanto ganharia um técnico contratado para executar o que o proprietário ou sócio
da empresa está fazendo e, por outro lado, quanto a empresa realmente tem condições de
pagar, levando-se em conta informações objetivas como volume de vendas, margens brutas,
custos fixos, volume da folha de pagamento, dentre outros.
Não vale a prática de atribuir o nome de pro labore ao raciocínio de que, na verdade, se trata
de uma participação nos lucros. Estes, devem ser avaliados, mensurados e repartidos ao final
do ano, ponderados os planos de crescimento da empresa e outros projetos que estejam
sendo estudados.
É claro que não somos contra o pro labore que vem a ser a remuneração justa do proprietário
que dedica seus esforços, conhecimentos e experiência àquele negócio. Essas retiradas,
entretanto, devem ser razoáveis, compatíveis com o volume de vendas, e assim por diante.
As empresas que não observam esses mandamentos tendem a engrossar a fileira dos
empreendimentos de insucesso, observada nas inúmeras estatísticas disponíveis neste País
sobre as causas da mortalidade das pequenas empresas.
Infelizmente, essas estatísticas apontam que cerca de 90% das micro e pequenas empresas
desaparecem antes de completarem 5 anos de vida.
Diversos levantamentos têm sido realizados pelo SEBRAE, em diversas regiões do País, com o
objetivo de encontrar a taxa de perecimento nos anos iniciais de vida da empresa, e, ao
mesmo tempo, identificar os principais fatores associados ao “sucesso” ou “insucesso” no
mundo dos negócios de pequeno porte. Para isso utiliza uma análise comparativa de
desempenho entre as empresas em atividade e extintas.
Estima-se que 36% morrem ou desaparecem com até um ano de atividade, e 47% com até 2
anos ou, então, 64% sobrevivem ao primeiro ano de atividade e 53%, até o segundo ano.
O aprofundamento do exame desses números permite a avaliação comparativa de perfil,
postura e visão empresarial, possibilitando a compreensão dos caminhos do “insucesso” e do
“sucesso empresarial”.
É importante frisar que o malogro do empreendimento não significa, de maneira alguma, o
fracasso do empreendedor. Este pode ser, em muitas outras áreas, um empreendedor de
sucesso.
Wanderley Benjamim de Sousa
Especialista, com Pos Graduação, em “Gerenciamento da Micro e Pequena Empresa”
sousawbs@uol.com.br